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Como a história de Angra dos Reis e seu entorno seria diferente,
caso tais planos tivessem se concretizado!
Foi nessa conjuntura que homens de visão vislumbraram a
possibilidade de atrair o interesse do governo federal para a
região. O General Honório de Souza Lima, um angrense, buscou
convencer o Presidente da República a construir uma escola militar.
Assim, em 1909, a Câmara Municipal de Angra dos Reis desapropriou a
Chácara da Tapera, doando o terreno à Marinha, com o propósito de
ali estabelecer um educandário. Sedimentava-se uma estreita relação
entre Angra dos Reis e a Marinha.
Um Capitão Engenheiro do Exército, ROSALVO MARIANO DA SILVA, que
andava por aqui, pois construíra o Forte do Leme e o Monumento aos
Mortos do Encouraçado Aquidabã, na Ponta do Leste, foi o encarregado
do projeto.
A obra durou de 1911 a 1914. Terminada a construção, aqui
instalou-se a Escola Naval. O que não deu certo, por falta de
professores, pois os chamados lentes resistiam à idéia de viver na
pequena e modesta Angra dos Reis. Em 1920, a Escola Naval voltou
para o Rio de Janeiro.
O prédio passou a abrigar, então, a Escola de Grumetes Almirante
Batista das Neves. Por fim, o Colégio Naval, em 1951.
Desde a construção, essas instalações constituem um importante ponto
de apoio para as unidades navais, em suas freqüentes missões nesta
região.
Outro aspecto digno de registro é a excepcional influência que a
Marinha, particularmente o Colégio, teve no desenvolvimento de Angra
dos Reis. Foram evidentes os benefícios, pois logrou estimular as
atividades econômicas e sociais, em decorrência não apenas das
necessidades do Colégio e das organizações que o antecederam, mas
também pela presença crescente da família naval em Angra dos Reis.
A importância dos professores trazidos para essa cidade é marcante.
Os angrenses e oficiais de marinha mais antigos compartilham
recordações, ao lembrar de nomes como Travassos, Jordão, Gilberto,
Ovídio, ... que trazem lembranças do tempo em que freqüentavam os
bancos escolares.
Em 2002 o Colégio Naval completou 51 anos. Nesse meio tempo,
milhares de jovens por ali passaram e seguiram o seu destino, na
Marinha ou em outra carreira. Seguramente permanecem em suas
memórias as lembranças de uma fase marcante de suas vidas. Fase de
amadurecimento, por certo nem sempre amena, particularmente quando
ocorre o afastamento abrupto da proteção dos pais e responsáveis,
como é o caso.
Nesse meio tempo, Angra dos Reis e o Colégio Naval estreitaram os
seus laços. Professores, Funcionários, Alunos, Marinheiros e
Soldados aqui estabeleceram amizades. Muitos conheceram as suas
namoradas e com elas constituíram família. Angrenses encontraram no
Colégio a sua porta de entrada para ingresso na Marinha.
Assim como os eventos da cidade passaram a fazer parte do cotidiano
da tripulação do Colégio. Os eventos do Colégio passaram a fazer
parte da vida da cidade. A Regata, por exemplo, inicialmente uma
competição interna sem grande expressão, atualmente é a maior da
região. Em 2002 conduziu-se a vigésima terceira. Nela, em centenas
de barcos, competiram crianças de menos de dez anos e senhores
grisalhos oriundos das mais diversas regiões do país.
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